O Governo Lula se prepara para possíveis medidas comerciais mais rígidas por parte dos Estados Unidos, com a imposição de novas tarifas sobre um pacote de produtos brasileiros. Embora o foco inicial tenha sido em setores específicos, como o etanol e os produtos de aço e alumínio, um cenário mais amplo está sendo considerado, com a possibilidade de o presidente Donald Trump anunciar tarifas sobre praticamente toda a pauta exportadora brasileira. A decisão pode ser tomada já em abril, quando Trump deve divulgar sua política de tarifas recíprocas.
A ameaça de novas barreiras comerciais por parte dos EUA gerou grande preocupação em Brasília. O Governo Lula já vem discutindo com Washington questões relacionadas ao etanol, um dos produtos que os EUA podem tarifar, devido às diferenças nos impostos sobre o produto nos dois países. No Brasil, o imposto sobre o etanol importado é de 18%, enquanto os EUA praticam uma tarifa de apenas 2,5%, o que foi considerado injusto pelo governo norte-americano. No entanto, o clima de incerteza em torno da política tarifária de Trump tem gerado um alto nível de tensão.

As autoridades brasileiras estão especialmente preocupadas com a possibilidade de um tratamento tarifário linear, que afetaria todos os países com os quais os EUA têm relações comerciais. De acordo com fontes próximas ao governo, a Casa Branca estuda a imposição de tarifas diferenciadas para cada país, com base em sua política comercial e tarifária. A medida pode afetar profundamente a pauta exportadora brasileira, que inclui setores estratégicos como aeronaves, cobre, madeira e outros produtos industriais.
Embora o governo brasileiro ainda não saiba ao certo qual será o impacto das novas tarifas, há um consenso de que o Brasil poderá ser mais uma vez afetado pela guerra comercial iniciada por Trump. Desde o início de seu mandato, o presidente americano tem adotado uma postura protecionista, impondo tarifas sobre diversos setores de produtos importados, incluindo aço e alumínio, o que já resultou em custos adicionais para os exportadores brasileiros.
As autoridades brasileiras tentam minimizar os danos, mas o cenário continua nebuloso. Um dos setores mais afetados é a indústria de transformação, que é responsável por grande parte das exportações do Brasil para os Estados Unidos. Em 2024, o Brasil exportou produtos industriais no valor de US$ 31,6 bilhões para os EUA, com destaque para aeronaves e seus componentes.
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