A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que decline a competência e envie à Justiça Estadual do Piauí o inquérito que investiga o empresário Reginaldo Carvalho e o irmão do ministro Ciro Nogueira, Gustavo Nogueira, pelo suposto pagamento de propina pelo grupo J&F para que o Partido Progressista apoiasse a chapa Dilma e Temer nas eleições de 2014 e, às vésperas do impeachment, não rompesse com a petista. Na investigação também figura o então tesoureiro do Grupo Carvalho, Gilson Andrade.
O ponto de partida da investigação foi a delação premiada do empresário Joesley Batista, dono da J&F, e do executivo Ricardo Saud, que foi diretor de relações institucionais do grupo.
A Polícia Federal concluiu que valores teriam sido repassados através do supermercado Comercial Carvalho, que era de propriedade do empresário Reginaldo Carvalho. O empresário relatou em depoimento que, a pedido do executivo da J&F Joesley Batista, teria entregue malas de R$ 5 milhões ao irmão do senador Ciro Nogueira (Progressistas).
A investigação foi arquivada em relação a Ciro Nogueira, no entanto, os depoimentos apontam para a efetiva entrega de valores em espécie, no ano de 2014, a Gustavo Nogueira.
O relatório final da Polícia Federal afirma que a verba não foi desembolsada do caixa da empresa. Segundo a investigação, o dinheiro saiu de uma conta controlada pela J&F, mas alimentada com recursos desviados pelo PT do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em parecer do dia 18 deste mês, a vice-procuradora geral da República, Lindôra Maria Araújo, opina pelo envio dos autos a uma das Varas Criminais da Comarca de Teresina para a continuidade das investigações.
Outro lado
O empresário Reginaldo Carvalho não atendeu as ligações. Já Gustavo Nogueira preferiu não se manifestar.
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