O biólogo e professor, Francisco Soares, falou em entrevista ao GP1, na manhã dessa quarta-feira (08), sobre os aguapés e a contribuição da planta para o ecossistema. Os aguapés são capazes de filtrar poluentes, e a retirada dessa planta é mais uma questão estética, do que ambiental.
- Foto: Lucas Dias/GP1Aguapés no Rio Poti em Teresina
Francisco Soares explicou que o principal fator que contribui para a proliferação dessa planta é a poluição orgânica do rio. “Essa poluição é fruto do esgotamento sanitário, fazendo com que boa parte dos esgotos caiam na rede fluvial, e que termina indo para o rio sem nenhum tipo de tratamento”, informou.
Formação dos aguapés
Francisco Soares ainda ressaltou com se dá a proliferação dessas plantas: “Ao se depositarem no rio, se tem a ação de bactérias e fungos que fazem o processo de decomposição dessa matéria, tornando a água do rio adubada, junto com isso existe a boa isolação, uma temperatura elevada, que faz que algumas plantas, principalmente os aguapés, cresçam exponencialmente”, contou.
- Foto: Lucas Dias/GP1Aguapé no Rio Poti
Conforme Soares, quando o rio aumento de volume, ele joga parte dessas plantas para as margens, e quando elas saem da água elas morrem desidratadas. As plantas também vão descendo na correnteza do rio, o que proporciona a sensação que elas estão diminuindo.
Benefício X malefício
“Os aguapés fazem biofiltração, eles sugam os poluentes, mas como é contínua a entrada de poluentes ele não dão conta de filtrar a água toda. O malefício é que quando eles estão crescendo eles cobrem toda a superfície do rio, e impede as trocas gasosas entre a atmosfera e água. Por conta desse fenômeno, os peixes sofrem com isso, pois diminui a quantidade oxigênio dentro da água”, disse Francisco Soares.
“A retirada tem o benefício porque elas melhoram a oxigenação da água, mas por outro lado ela faz com que aumente a concentração de poluentes. A retirada tem que ser dosada. As pessoas ao verem o aguapé eles fazem a associação de que os rios estão poluídos, então tem mais um efeito político, do que um efeito ambiental”, finalizou o biólogo.
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