O aluno Victor Henrique Ahlf Gomes se pronunciou pela primeira vez após ser expulso do curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde era conhecido como “estudante de direita” desde o ingresso na instituição. O jovem, de 22 anos, concluiu o curso com desempenho acadêmico de 9,1 e nota máxima no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), mas foi impedido de se formar por enfrentar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) com 'viés político', que resultou em sua expulsão no final da graduação.
Victor Henrique afirmou que sofreu 'perseguição política' na USP. Em defesa do aluno, a professora de Direito Penal da USP, Janaina Paschoal, afirmou que a medida foi desproporcional. “Todos os créditos cumpridos, notas altas, não poder colar grau? Não se tratasse de um aluno abertamente de direita, o espírito de conciliação teria falado mais alto”, afirmou a docente.
O professor José Mauricio Conti, de Direito Financeiro da USP, que teve acesso a todo o processo, também comentou sobre a expulsão do jovem. “Participei do julgamento e analisei todas as provas. Uma decisão absurda e profundamente lamentável”, declarou.
Processo foi aberto pela USP em 2022
O PAD foi aberto pela instituição em 2022, após o rapaz ter uma desavença com a namorada. Ele fez uma reclamação contra ela na Ouvidoria da Faculdade de Direito, onde ela também estudava. Entretanto, após defesa da estudante, o processo foi invertido, e Victor Henrique passou a ser alvo de denúncia. “Reportagens publicadas nos últimos dias mostraram que as acusações tratam de situação equivalente a assédio sexual e importunação durante trabalhos escolares, e nada disso foi comprovado. Quem analisou as provas, e isso posso afirmar com absoluta segurança, sabe que são extremamente fracas, a começar pela palavra da vítima, que dá depoimentos divergentes”, afirmou o professor Conti.
Ele namorou uma jovem nove meses no início do curso, em 2021, época da pandemia da Covid-19. Os dois terminaram o relacionamento, mas no ano seguinte reataram e marcaram um encontro. O jovem explicou que buscou a menina e a levou ao shopping, e que trocou mensagens com ela nos dias seguintes. Entretanto, quando retornou às aulas, percebeu que as pessoas estavam comentando sobre seu encontro.
“Soube por um amigo que estavam falando que eu a teria forçado a sair comigo, mas mostrei para ele que tínhamos conversado antes. Um amigo nos viu juntos no Salão Nobre da faculdade e testemunhou isso no processo”, afirmou o aluno. Entretanto, os rumores seriam que ele teria forçado a aproximação com a moça, e alguns chegaram a afirmar que a ex-namorada do jovem estava com um braço roxo por conta de um “puxão” dado por Victor enquanto tentava conversar com ela na sala de aula, mas ele negou que tenha feito isso, assim como outros colegas que testemunharam a situação, mas os comentários continuaram.
Com a repercussão da situação, o estudante resolveu abrir uma reclamação contra a ex-namorado. “Só que fizeram pouco caso da acusação ser de um homem contra a mulher, e vi que teria que resolver na Justiça”, declarou Victor Henrique. Depois, ele passu a responder Processo Administrativo Disciplinar (PAD), e no processo, a própria vítima afirmou que saiu voluntariamente com o ex-namorado.
Processo foi usado para reprimir “opiniões de direita”
Ao responder ao PAD, Victor foi impedido de frequentar as aulas no final de 2022 e mudou de turma para não manter contato com a ex-namorada. Depois disso, ele contou que outros amigos dele foram questionados sobre possíveis atitudes preconceituosas dele dentro e fora da USP. “A tônica do PAD foi procurar na minha vida pessoal opiniões que, para eles, seriam consideradas homofóbicas, racistas, etc. Teve até um depoimento em que a testemunha fala que eu sempre repudiei o nazismo por eu ser de direita, inclusive por eu achar o nazismo tão ruim como o comunismo”, declarou o estudante.
Um dos amigos ainda afirmou que foi coagido durante seu testemunho, em que foram apresentadas diversas conversas de Whatsapp e outras redes sociais com conhecidos, ou seja, totalmente fora do contexto em que o processo foi instaurado.
Além disso, o jovem pontuou que o PAD não deveria ser instaurado baseado em fatos externos ao ambiente acadêmico, processo esse que também considerou que não havia nenhuma prova que o condenasse.