O secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas , demitiu dos quadros da Polícia Civil do Piauí o agente Ivan Machado Veras , acusado de estuprar uma adolescente dentro da Delegacia de Barras, em junho do ano passado. A portaria foi assinada nesta segunda-feira (20).
A demissão se deu após a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), em que foi investigada a conduta do policial civil.
Ivan Machado Veras foi preso preventivamente em 20 de junho do ano passado, acusado de estuprar a menor de idade B.S. de C. no dia 9 do mesmo mês, nas dependências da Delegacia de Barras.
Em depoimento prestado junto à Polícia Civil, a adolescente narrou que havia ido até a delegacia em busca de uma medida protetiva, sendo atendida pelo agente Ivan Machado, que estava sozinho. Segundo a menor, em determinado momento o policial a conduziu pelo braço até o alojamento, que fica no fundo da delegacia, e lá teria praticado o estupro, que teve conjunção carnal.
Segundo a adolescente, ao final, Ivan Machado mandou ela se vestir e disse que se ela não falasse nada para ninguém, ele “iria pagá-la” e iria começar a ajudá-la.
A adolescente explicou que não conseguiu reagir por medo, considerando que o agente estava armado. Ela somente revelou ter sido estuprada dias depois, quando, com medo de ter engravidado, procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS) e relatou tudo ao médico, que, por sua vez, acionou o Conselho Tutelar.
A conselheira tutelar que atendeu a menor afirmou à polícia que a menina estava bastante traumatizada, o que podia ser percebido pela dificuldade que ela tinha em rememorar o ocorrido.
Diligências
O Processo Administrativo foi encaminhado à Procuradoria-Geral do Estado, que, no dia 12 de dezembro do ano passado, emitiu parecer favorável à demissão do policial civil.
Diante disso, o secretário de Segurança Pública decidiu demitir o agente dos quadros da Polícia Civil do Piauí. “Diante do conjunto probatório construído sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, restou demonstrada que as condutas praticadas pelo servidor processado incorrem em crime bem como em transgressão(ões) disciplinar(es) e revelam-se gravíssimas, incompatíveis com a função pública, com a dignidade da função policial, condutas dotadas de imensurável reprovabilidade, pois atingiu também a dignidade humana de uma adolescente, inadmissível, porquanto os fatos demonstram uma situação de escândalo por ocasião dos atos praticados terem ocorrido dentro da unidade policial quando a vítima procurou ajuda a um agente de segurança pública” , concluiu o secretário Chico Lucas.
O secretário determinou a notificação de Ivan Machado, para que entregue a carteira funcional, insígnias, distintivos, armas e quaisquer outros documentos ou objetos que o possibilite apresentar-se na qualidade de policial.