O diretor-presidente da Rumble, Chris Pavlovski , enviou uma mensagem direta ao ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), após uma decisão judicial norte-americana favorável à plataforma de vídeos.

Na terça-feira (25), a juíza distrital de Tampa, na Flórida, Mary Scriven, afirmou que as ordens de Moraes não possuem validade nos Estados Unidos. Com esse entendimento, ela negou uma liminar solicitada pela Rumble e pela Trump Media & Technology Group (TMTG), de Donald Trump, que buscavam a suspensão dos efeitos da decisão de Moraes que bloqueou a Rumble no Brasil. Segundo Scriven, a liminar é desnecessária, pois as ordens do ministro não cumprem os requisitos do Direito Internacional e, portanto, não têm efeito em território norte-americano.

Pavlovski provoca Moraes

Após a decisão, Chris Pavlovski usou as redes sociais para confrontar Alexandre de Moraes. Em português e inglês, o CEO da Rumble publicou:

Oi @Alexandre, Outro dia, você disse que sou um criminoso porque expressei a opinião de que suas ordens secretas eram ilegais. Hoje, um tribunal federal dos EUA determinou que suas ordens são inválidos. Mais uma vez, nos veremos no tribunal… se você decidir aparecer. Chris — Chris Pavlovski ????‍☠️ (@chrispavlovski) February 25, 2025

O CEO da Rumble também marcou Moraes, que recentemente excluiu sua conta do Twitter/X, ao compartilhar uma reportagem da Reuters sobre a decisão judicial. “Alexandre de Moraes, gostaria de comentar?”, escreveu Pavlovski.

Alexander de Moraes, care to comment? pic.twitter.com/ObwtRtP6r7 — Chris Pavlovski ????‍☠️ (@chrispavlovski) February 25, 2025

Em outra publicação, o executivo reforçou a missão da plataforma na defesa da liberdade de expressão. “Não há empresa que lute pela liberdade de expressão como a Rumble.”

There is no company that fights for free speech like Rumble. — Chris Pavlovski ????‍☠️ (@chrispavlovski) February 25, 2025

Disputa judicial nos EUA

Além do processo cuja decisão favoreceu a Rumble e a Trump Media, a Rumble ingressou com outra ação contra Alexandre de Moraes no dia 19 de fevereiro. No dia seguinte, o ministro ordenou o bloqueio da plataforma no Brasil, sob a justificativa de que a empresa não possui representação legal no país e descumpriu ordens judiciais.

Na ação em curso, a Rumble e a TMTG acusam Moraes de violar a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão. Segundo as empresas, as determinações do ministro representam censura prévia e não podem impactar uma companhia sediada nos EUA, onde a liberdade de expressão é amplamente garantida.

Para Alexandre de Moraes, no entanto, “liberdade de expressão não é liberdade de agressão”, argumento utilizado para justificar a remoção de perfis e conteúdos considerados ofensivos ou criminosos.

O crescimento da Rumble

Fundada em 2013 por Chris Pavlovski, a Rumble é uma plataforma de vídeos independente voltada a criadores de conteúdo. A empresa ganhou relevância durante a pandemia de covid-19 ao se posicionar como alternativa ao YouTube, que restringia conteúdos questionando as vacinas emergenciais contra o vírus.

Influenciadores de direita também relataram censura no YouTube, incluindo desmonetização e remoção de canais. Em 2021, o atual vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, tornou-se investidor da Rumble, aumentando sua visibilidade.

No Brasil, a Rumble se tornou um refúgio para influenciadores como Allan dos Santos, cujos perfis foram bloqueados por decisões de Alexandre de Moraes. Em dezembro de 2023, a plataforma anunciou sua saída do país em protesto contra as restrições impostas pelo STF. No início de fevereiro de 2025, a Rumble retomou suas operações no Brasil, mas sua disponibilidade foi novamente interrompida por ordem judicial.